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É inconcebível esse tipo de “tratoragem” que o Estado faz com a nossa história!!! MAIS UMA CONTRA O POVO PRETO:

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A Praça da Liberdade mudou de nome para Praça da Liberdade-Japão. O Metrô resolveu acompanhar e a Estação Liberdade passou a se chamar Estação Liberdade-Japão. A classe política quis homenagear a comunidade japonesa, como se na cabeça das pessoas o bairro da Liberdade não remetesse automaticamente ao Japão e à cultura japonesa.

É um completo absurdo. Além de ser uma perda de tempo aprovar projetos de lei como esses, alterar denominação de um lugar implica despesas com alteração de placas, guias, mapas e toda comunicação visual de todos os órgãos públicos. Não preciso também frisar que lá não vivem apenas nipo-brasileiros, havendo também um sem-número de chineses e coreanos, e seus descendentes. Mas o negócio vai mais além.

Segundo Mônica Bergamo, do Jornal Folha de São Paulo, foi o governador Marcio França que atendeu uma “antiga reivindicação dos comerciantes do bairro”. O dono da Ikezaky, informou a revista Exame, que gastou 200 mil do próprio bolso para reformar a Praça da Liberdade, digo, Largo da Forca.

A Praça da Liberdade (agora Liberdade-Japão), muito antes da chegada da comunidade japonesa, se chamava Largo da Forca, pois era palco de execução de escravos negros fugitivos e condenados à pena de morte. Foi, aliás, por causa de um negro que a praça e o bairro foram chamados de Liberdade. Em 1821, um soldado chamado Chaguinha, condenado à morte por liderar uma rebelião por pagamento de soldo, sobreviveu a duas tentativas de enforcamento, ao que o público atribuía a um milagre e passava a gritar “liberdade” – só foi morto após o carrasco usar um laço de vaqueiro. Chaguinha, então, se tornou um santo padroeiro do bairro e protetor da Capela dos Aflitos, onde esteve antes de ser levado à forca, e da Igreja Santa Cruz dos Enforcados, construída décadas mais tarde em frente à praça.

O bairro da Liberdade nasceu sobre um cemitério a céu aberto, o Cemitério dos Aflitos, construído em 1774, onde eram enterrados pobres, indigentes e escravos (os mais ricos eram enterrados em igrejas). Quase na mesma época, em 1779, foi erguida a Capela dos Aflitos. Também foi o bairro em que, após a abolição da escravidão em 1888 e sem direitos básicos, a população negra se concentrava em busca de trabalho. Era inegavelmente um bairro negro. Com a chegada de imigrantes e políticas de Estado de embranquecer o centro de São Paulo, iniciou-se um processo de gentrificação que empurrou a população pobre e negra para as periferias da cidade.

A memória do povo negro da Liberdade foi apagada. Praticamente hoje não há referências ao período de horrores. E agora um empresário japonês do ramo de cosméticos está disposto a consolidar ainda mais esse processo, como se reformar a Praça da Liberdade com recursos próprios fosse um ato de benevolência que exigiria do Poder Público um ato de gratidão (na verdade, o empresário ganhará espaços de publicidade no local). É bem lamentável usar uma (desnecessária) homenagem a nikkeis para reforçar uma política histórica de racismo e antinegritude.

A preservação do patrimônio histórico é fundamental para as gerações do presente e do futuro, que tem o direito de conhecer a própria história.

A Capela dos Aflitos data de 27 de junho de 1779 sua fundação, como referencial católico do primeiro cemitério de 1775 da cidade destinado aos desvalidos (escravos, pobres indigentes e aos condenados à morte). A Capela foi lugar de fé, romaria e é assim até hoje. Marco da história negra no Brasil, com destaque para o mártir popular Chaguinha, soldado negro que enfrentou o império e foi morto no então Largo da Forca, atual Praça da Liberdade, fiéis acendem velas e fazem preces até hoje no altar da capela.

A Capela foi tombada pelo CONDEPHAAT-SP (20125/1976).

Obras privadas nas imediações estão pondo em risco a estrutura desse patrimônio histórico. O poder público não pode deixar um local com tamanha importância histórica desmoronar!

Assine a petição e ajude a proteger a Capela dos Aflitos!

Clique para assinar:
http://www.encampa.com.br/nao-deixe-a-capela-dos-aflitos-desmoronar/

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