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Desde a época do Império, Brasil sofre com fake news sobre vacinas

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No século 19, apesar dos governos de dom João VI, dom Pedro I e dom Pedro II terem oferecido a vacina contra a varíola, gratuitamente, aos súditos, muitos fugiam dos vacinadores, o que contribuía para que as epidemias de varíola fossem recorrentes e devastadoras

O Brasil está entre os países em que uma parcela da população não confia na eficácia das vacinas. Com isso, muitas doenças que há décadas eram consideradas extintas voltaram a matar, principalmente crianças no país.

Geralmente, as fake news são elaboradas por pessoas que não usam fontes e jogam vídeos caseiros no Youtube. Citam cientistas que nunca existiram e casos fictícios para colocar medo na população.

Mas não é de hoje que o Brasil sofre com a desinformação. No século 19, apesar dos governos de dom João VI, dom Pedro I e dom Pedro II terem oferecido a vacina contra a varíola, gratuitamente, aos súditos, muitos fugiam dos vacinadores, o que contribuía para que as epidemias de varíola fossem recorrentes e devastadoras.

Documentos históricos guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, mostram que a baixa adesão às campanhas de vacinação foi um problema que atormentou os senadores do início ao fim do Império.

“Em Santa Catarina, têm morrido para cima de 2.000 pessoas”, discursou em 1826 o senador João Rodrigues de Carvalho (CE), citando a província da qual fora presidente (governador). “Eu estabeleci ali a vacina, deixando-a encarregada a um cirurgião hábil, mas quase ninguém compareceu. Os povos estão no erro de que a vacina não faz efeito. Quando o interesse público não se identifica com o interesse particular, nada se consegue.”

Por causa das bolhas cheias de pus que se espalhavam pelo corpo do infectado, a doença era popularmente chamada de bexigas. Mesmo nos casos em que a varíola acabava não sendo letal, os bexiguentos sobreviventes pouco comemoravam. Depois de secar e cair, as bolhas costumavam deixar cicatrizes profundas que deformavam o rosto para sempre.

Sem entenderem como a vacina funcionava, muitos tinham pânico dessa novidade médica. Um dos medos era que a imunização, em vez de evitar, desencadeasse a varíola e levasse à morte. Reforçava esse temor o fato de o vacinado desenvolver uma bolha, ainda que superficial e inofensiva, no local da inoculação.

Séculos passaram e uma parcela da população ainda teme as vacinas. As teorias são praticamente as mesmas, que as vacinas têm efeito contrário. Mesmo com números mostrando exatamente o oposto. O presidente Jair Bolsonaro chegou a fazer um comentário que repercutiu no mundo todo.

“Lá no contrato da Pfizer, está bem claro nós (a Pfizer) não nos responsabilizamos por qualquer efeito colateral. Se você virar um jacaré, é problema seu”, disse Bolsonaro, que questionou em várias ocasiões as vacinas e a gravidade da pandemia, que já deixou mais de 191 mil mortos no Brasil.

Fonte: El País

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