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O Natal não é coisa de Pretx. As contradições nas celebrações do Natal – Uma constante parceria do consumo e da mentira.

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Herança da colonização portuguesa em solos brasileiros, a tradição do Natal, que possui origem cristã, celebra anualmente o nascimento de Jesus, menino que virou homem, mas que nos seus primeiros passos junto a seus pais se encontravam refugiados, em diáspora forçada, pelo Estado. Em 1824, a Constituição Imperial do Brasil instituiu o catolicismo como religião oficial, o que fez com que a fé estivesse cada vez mais presente nas casas em solo tupiniquim, justificando a relevância do feriado para os brasileiros.

No dia 25 de dezembro próximo uma parcela significativa do País (cristãs, cristãos entre outros) e juntam-se a estes pentecostais, neopentecostais entre outros segmentos evangélicos e se voltam para a celebração entre seus pares sobre o nascimento de um menino que fora perseguido pela classe dominante com o objetivo de destruir este que viria a ser um revolucionário, homem socialista que a partir dos seus dons amparava pobres, doentes, prostitutas, ladrões, leprosos, porém não desconsiderava também a disputa de imaginário dos ricos e das ricas.

Este menino que se tornou homem ousou enfrentar políticos, empresários, polícia e a burguesia, simplesmente por, através da palavra, mobilizar pessoas de uma mesma classe social a se unirem a partir dos princípios da solidariedade e do amor incondicional, do repudio a qualquer ato de violência, discriminação e várias tantas de opressão. Este menino que se tornou homem e deixou tantos parâmetros de como podemos ser melhores seres humanos, de amarmos o próximo como a nós mesmos, o respeito incondicional às mães e pais, que não nos matemos, não cometermos adultério, que não roubemos, que não dêmos testemunho falso contra ninguém (leia-se Fake News), entre tantos outros tão importantes quanto.

Este menino que se tornou homem, socialista e revolucionário sofreu um “Lawfare por defender estes princípios, o mesmo povo que ele defendia foi quem, a partir do “lavar as mãos” do juiz e da manipulação das burguesias e lideranças religiosas, deu a sentença. CULPADO. Dela pra cá o nome deste menino que se tornou um homem vem sendo utilizado em larga escala para promover a fome, o frio, a sede e a morte destes mesmos que ele tanto acolheu e defendeu, seus princípios e mensagem vem sendo sistematicamente utilizada para promover a permanente contradição entre o que ele praticou e disse. Seus seguidores e seguidoras hoje são um sem numero de homicidas, homofóbicos, racistas, ricos, mentirosos e toda a ordem de dicotomias entre o que este menino que virou homem deixou de legado.

No entanto as religiões de matrizes africana em escala mundial vem cada vez mais se afastando do sincretismo religioso, sincretismo este que foi construído com estratégia de manutenção das culturas e tradições originarias de África, mas ressignificadas e fortalecidas aqui no Brasil e aqui chegamos no Kwanzaa uma celebração afro-americana que tem início no dia 26 de dezembro e fim em 1 de janeiro de cada ano.

O Kwanzaa envolve a reflexão sobre sete princípios básicos: a valorização da comunidade, das crianças e da vida. “Feliz Kwanzaa”. Esta palavra significa “o primeiro, no início” ou, ainda, “os primeiros frutos”, e pertence a tradições muito antigas das celebrações das colheitas em África. Toda a celebração e os rituais da Kwanzaa foram concebidos após as famosas e terríveis revoltas de Watts, em 1966. Foram buscada em remotas tradições africanas valores que fossem cultivados pelos afro-americanos naqueles terríveis dias de lutas pelos direitos civis, de assassinatos de seus principais líderes e que, não sendo religiosos, pudessem atrair – como atraíram – todas as igrejas de todas as comunidades negras em todo o país e, no futuro, pelo mundo fora.

Maulana Karenga organizou a Kwanzaa em torno de 5 atividades fundamentais, comuns às celebrações africanas da colheita das primeiras frutas: a reunião da família, de amigos e da comunidade, a reverência ao criador e à criação, destacadamente a ação de graças e a reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e “curar” o mundo, a comemoração do passado honrando os antepassados, pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história, a renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis e respeito as mais velhas e aos mais velhos e a celebração do “Bem da Vida” que é um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura.

Karenga diz que “a Kwanzaa é celebrada através de rituais, diálogos, narrativas, poesia, dança, canto, batucada e outras festividades“. Estas atividades devem demonstrar os sete princípios, Nguzo Saba em suaíli.

Umoja (unidade) – Kujichagulia (autodeterminação) – Ujima (trabalho coletivo e responsabilidade) – ujamaa (economia cooperativa) – Nia (propósito) – Kuumba (criatividade) – Imani (fé).

A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho por cada criança que houver na casa. Depois de acesa a vela, todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa “reúnam todas as coisas” como “vamos fazer juntos”. A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo. Palavra africana derivada da frase kiswahili “matunda ya kwanza”. Na África tradicional Kwanzaa representa as primeiras colheitas; na América do Norte e Caraíbas os participantes dessa festa são afrodescendentes.

No Brasil, algumas instituições passaram a dar o nome de Kwanzaa às festividades do “Dia Nacional da Consciência Negra“, comemorado a 20 de novembro. Nesse dia o povo preto expõe sua cultura através de dança, culinária, artesanato e palestra, prestando, ainda, uma homenagem a Zumbi dos Palmares um líder quilombola. Entretanto, essa comemoração tem pouco a ver com a celebração da Kwanzaa como ela foi originalmente concebida.

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