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Campo de concentração do Patu: escravização, fome e morte no Brasil

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O recente tombamento do sítio arquitetônico do “Campo de Concentração do Patu”, no Ceará, revela um capítulo pouco conhecido da história do Brasil. No início da década de 1930, o local servia para confinar milhares de pessoas que fugiam da seca que atingia o nordeste. O objetivo era evitar que os retirantes chegassem a outras cidades, principalmente Fortaleza, capital cearense.

As ruínas da construção ficam na cidade de Senador Pompeu, a 270 quilômetros de Fortaleza. Oficialmente, 16.221 pessoas ficaram concentradas no local, sob alegação de que estariam sob a proteção do governo. De acordo com historiadores, lá elas eram expostas a uma série de sofrimentos e privações. Muitas delas morreram de inanição e de doenças, como tifo. Os retirantes também seriam explorados como mão-de-obra escrava, trabalhando de forma forçada em obras públicas.

Na época, outros seis campos com a mesma função foram instalados no Ceará. Ao menos 73.918 retirantes ficaram confinados nesses locais, segundo registros do jornal O Povo. “Foi absolutamente cruel, mas houve discursos humanistas. O discurso era que o confinamento seria para cuidar das pessoas, mas passaram a morrer oito, nove, dez pessoas por dia”, disse Kênia Rios, historiadora e professora da Universidade Federal do Ceará (UFC). Ela conta que resolveu estudar os campos de concentração para entender como os ricos tratam e isolam os pobres, em casos como esse.

O isolamento das pessoas de baixa renda dos grandes centros urbanos não era o único propósito dos campos. Na época, a ideia do darwinismo social era popular e ajudava a justificar iniciativas como essas. De acordo essa teoria, algumas sociedades seriam superiores às outras. Esse conceito motivou as ideias de eugenia, racismo, fascismo e nazismo.

O darwinismo social tinha entre seus seguidores Getúlio Vargas.”Para se ter uma ideia, na Constituição de 1934, há um artigo [Art. 138] que diz que o Estado teria que ‘estimular a educação eugênica'”, disse Valdecy Alves, advogado e ativista dos direitos humanos, em entrevista ao portal Deutsche Welle. De acordo com ele, que é natural de Senador Pompeu, essa teoria era usada como justificativa moral para a implantação dos campos. Esses locais foram desativados em 1933. O número de mortos nunca foi oficialmente contabilizado.


Poucos brasileiros conhecem a história do sítio arquitetônico do “Campo de Concentração do Patu”, no Ceará. Tombado patrimônio histórico-cultural da cidade de Senador Pompeu, recentemente, o local foi palco de muito sofrimento no passado.

O Campo de Concentração do Patu, como ficou conhecido, servia para confinar milhares de pessoas que fugiam da seca no interior do Ceará.

O objetivo era evitar que os retirantes chegassem a outras cidades, principalmente Fortaleza, capital cearense. Oficialmente, 16.221 pessoas ficaram concentradas no local, sob alegação de que estariam sob a proteção do governo.

De acordo com historiadores, lá elas eram expostas a uma série de sofrimentos e privações. Muitas delas morreram de inanição e de doenças, como tifo.

Os retirantes também seriam explorados como mão de obra escrava, trabalhando de forma forçada em obras públicas.

história dos campos de concentração no Ceará origina-se em processos vividos na seca de 1877, quando um ciclo intenso de estiagem motivou grandes deslocamentos de retirantes do interior do estado para Fortaleza.

Em 1915, temendo que a situação de 1877 se repetisse, o governador da época, coronel Benjamin Liberato Barroso, criou o primeiro campo de concentração do Ceará, em Fortaleza, no chamado Alagadiço, atualmente bairro de São Gerardo. Com o fim da estiagem, em 1916, o campo foi desfeito.

Em 1932, mais uma vez a seca foi intensa e novos campos de concentração surgiram para confinar os retirantes, não só em Fortaleza, mas em outras cinco cidades também: Crato, Senador Pompeu, Quixeramobim, Cariús e Ipu. Ao todo, eram sete campos de concentração, sendo dois deles em Fortaleza.

O isolamento das pessoas de baixa renda dos grandes centros urbanos não era o único propósito dos campos. Na época, a ideia do darwinismo social era popular e ajudava a justificar iniciativas como essas. De acordo essa teoria, algumas sociedades seriam superiores às outras. Esse conceito motivou as ideias de eugenia, racismo, fascismo e nazismo.  Os campos de concentração brasileiros foram criados quase meio século antes dos nazistas, que tiveram os primeiros campos em 1933.

Os campos de concentração do Ceará foram desativados em 1933. O número de mortos nunca foi oficialmente contabilizado.

Uma das poucas fotos existentes do Campo de Concentração do Patu

 

Fontes: History G1  Deutsche Welle e EBC

Imagens: Gustavo Gomes/EBC/Reprodução e José Bonifácio P. Costa/Arquivo Nacional, via EBC

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