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Carlos Marighella: Presente!

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Rio de Janeiro, Brasil – Eduardo Alves

ilustração Vitor Vanes – Arte Marighella

CRÔNICA

Poeta. Eis aquilo que não aparece diretamente nas descrições. Mas o guerrilheiro, o que surge fácil em qualquer pesquisa, era poeta. Primeiro, antes de tudo em sua formação socio histórica, foi construído o poeta e amante da vida. Mais que isso, era um humano que buscava e organizava o conhecimento historicamente acumulado e comprometido com o coletivo. Foi, como predominava no seu tempo, com todas as pessoas vistas como “esquerda”, do PCB. Afinal, foi em 1934, que ele entrou no PCB, ainda Partido Comunista do Brasil, como dizem os registros disponíveis de sua trajetória em vida. Já que sua vida foi roubada e diminuída de forma violenta pela ação do Estado, em 4 de novembro de 1969.

A solidariedade ativa que inspirou gerações foi usada contra nós mesmos! Marighella, o Carlos, não foi morto pelas consequências da vida, pois, todas as pessoas morrerão. Muitas pelas impossibilidades dos direitos à vida, o tempo que poderia vir para viver é impedido. Mas Carlos teve sua vida roubada e violentamente subtraída pela ação do Estado. Ele estava marcado para morrer. E isso se deu porque ele manteve firme sua disposição de “lutar” pela vida. E, em sua luta, vários métodos eram possíveis: o conhecimento, a arte, a poesia e a guerrilha.

Nós, amantes da organização do conhecimento, e dispostos humanamente às poesias que estimulam a inteligência coletiva, saudamos sim, a existência de Carlos e destacamos o que mais nos aproxima, para que não fiquem dúvidas: a dedicação e o compromisso pela defesa da vida, e como método, o enlaçamento total com o conhecimento e a poesia.

“Canaviais assobiando, cortina verde estendida sobre imensa extensão”.

Traz uma beleza para os olhos, a alma e todos os sentidos que funcionem no Corpo. Isso, essa parte de Canto da Terra é sim Mariglhella como sentimos, enxergamos e aprendemos. Que o exemplo da defesa da vida, a dedicação pela inteligência coletiva e o compromisso com a coletivização criativa do saber, nos banhe com o Mar de Marighella. Esse é o homem que nos inspira e por isso, e por muitas outras, Mariguella VIVE! Repetimos em coro: Marighella Presente!

Sobre o autor

Eduardo AlvesNasceu na periferia da cidade do Rio de Janeiro e desde os 14 anos atua em ações democráticas. Fez parte da Teologia da Libertação e atua com formação política desde os 18 anos, em partidos de esquerda, movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Cursou Ciências Econômicas na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi da direção do Observatório de Favelas, coordenador da ESPOCC – Escola Popular de Comunicação Crítica – e colaborador do IMJA-Instituto Maria e João Aleixo – desde a sua fundação. Nos dias atuais é colaborador e organizador do IPAD e identifica-se como intelectual orgânico da periferia.

 

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